Língua, Memória e Identidade na VII Oficina de Gramática Tupi-Guarani

Na semana da Independência, dias 4, 5 e 6 de setembro, foi realizada a VII Oficina de Gramática Tupi-Guarani na escola indígena da Aldeia Piaçaguera em Peruíbe. A oficina faz parte do Projeto de Revitalização das Línguas Indígenas do Estado de São Paulo, coordenado pela FUNAI – Coordenação Regional Sudeste e desenvolvida em parceria com a KAMURI e o Grupo de Pesquisa Indiomas da Universidade Estadual de Campinas.

As oficinas de gramática Tupi-Guarani visam o fortalecimento do uso tanto oral quanto escrito da língua, sobretudo no contexto escolar, com a elaboração, produção e publicação de materiais didáticos em Tupi-Guarani. Além dos conhecimentos sobre a gramática da língua, as oficinas linguísticas buscam ainda o resgate dos saberes tradicionais dos Tupi-Guarani, através de atividades que estimulem a discussão/reflexão e a valorização da memória e das práticas tradicionais do grupo.

Uma das diversas atividades de língua, cultura e memória desenvolvidas nessa última oficina, foi o estudo e a tradução cultural de um manuscrito em guarani de 1630. O manuscrito é uma denúncia feita pelos índios da Redução Jesuítica de São Inácio ao rei da Espanha sobre a exploração do trabalho indígena nas plantações de erva mate na Serra de Maracajú.

Essa atividade gerou uma reflexão sobre a língua e sobre uma nova maneira de se estudar e conhecer a sua própria história, contada não pelas palavras do colonizador europeu, mas pelas palavras (e na língua) de seus ancestrais. Um exercício de descolonização da construção e divulgação do saber científico.

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