Egydio Schwade: sinônimo do indigenismo alternativo.

Neste 7 de julho comemoramos os 90 anos de vida de Egydio Schwade, de uma vida inteira dedicada à causa indígena.
Egydio ingressou na Cia de Jesus, na juventude, ordenando-se sacerdote em 1968. Antes, porém, como seminarista, e em companhia do colega Thomaz de Aquino Lisboa, em 1967 visitou por primeira vez as aldeias indígenas do Rio Grande do Sul, produzindo uma série de 9 artigos que foram publicados pelo jornal Correio do Povo: O drama de 1080 famílias riograndenses. Até então, os indígenas do Rio Grande do Sul eram dados como em estado terminal, fadados ao desaparecimento, e eram desconhecidos da população em geral. Ao colocarem os indígenas do Rio Grande do Sul sob a luz da imprensa, eles iniciavam – sem o saber – um processo de visibilização das populações indígenas que se espalhou pelo país.
Foi um dos fundadores da OPAN – Operação Anchieta (1969) e do CIMI – Conselho Indigenista Missionário (1972). Neste último foi alçado a Secretário Executivo, em 1973, e a partir dali a questão indígena jamais deixaria de frequentar as páginas dos principais jornais brasileiros.
Egydio Schwade foi também um dos idealizadores das chamadas Assembléias de Chefes e Lideranças Indígenas, principiadas na primeira metade dos anos 1970, e que deram a tônica do movimento indígena emergente em nosso país.
O sub-título desse texto menciona o “indigenismo alternativo”. Em contraposição ao indigenismo oficial dos governos da ditadura, Egydio e todos os que com ele partilhavam a mesma perspectiva política e social, desenvolveram um verdadeiro indigenismo alternativo. A propósito, não se deve confundir “indigenismo alternativo” com “indigenismo não-oficial”; desse último tipo, houve e há diversas práticas, que só não são oficiais, mas não são alternativas.
A história do indigenismo e dos povos indígenas no Brasil, nos séculos XX e XXI não pode ser escrita sem que se ouça a palavra, a memória, o testemunho e a compreensão de Egydio Schwade sobre tudo isso.

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