Hoje, dia 3 de abril de 2021, a Kamuri celebra seu 15º. aniversário. Este é mais um marco fincado na passagem do tempo pela nossa entidade. E é, principalmente, uma nova oportunidade para olhar para o passado e refletir sobre esta trajetória, construída a muitas mãos, e que mobilizou muita energia transformadora. Porém, a jornada que teve início com o nascimento da Kamuri – nome da primeira mulher Kaingang, segundo a lenda – tem uma pré-história.

Nossa entidade começou com um “núcleo de cultura e educação indígena” onde um grupo de indigenistas se reunia desde 1995. Este grupo criou os Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, que tiveram seis edições entre 1995 e 2005. Durante este tempo, o grupo também prestou assessoria periódica à Escola Indígena de Inhacorá, no Rio Grande do Sul, e desenvolveu trabalhos de revitalização das línguas Nhandewá-Guarani e Kaingang no Oeste Paulista, além de participar da formação de professores bilíngues, no sul do país, e do projeto de informatização de suas escolas.

A intensificação das nossas atividades de revitalização das línguas e das culturas indígenas, que já acumulavam 11 anos de experiências, levou à percepção de que chegara a hora de iniciar uma nova fase. A criação da Kamuri foi, portanto, o resultado da vontade de realizar mais, construindo para isso uma estrutura capaz de abrigar um número maior de profissionais voluntários de várias áreas de atuação, com o objetivo comum de encaminhar as causas indígenas e ambientais, e suas interfaces com a educação e a cultura. 

Convidamos a todos os amigos e visitantes do nosso site a percorrer a nossa linha do tempo, que apresenta abaixo as nossas atividades principais, desde a criação da Kamuri. E desejamos que permaneçam conosco, nos ajudando a continuar na luta e a construir tempos melhores para o indigenismo no Brasil.

Kamuri, pós 2006

VII Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, realizado de 9 a 13 de julho de 2007, na UNICAMP (Campinas, SP)

– Instalação de 3 salas de informática em escolas kaingang da Terra Indígena Guarita, em 2007.

Semana do Índio na UNICAMP, abril 2008. Palestras, debates, projeção de filmes.

– 1a Oficina (nacional) de Ilustradores Indígenas. Campinas: UNICAMP, 27 de agosto a 5 de Setembro de 2008. Com presença de 20 indígenas de diversas etnias (Guarani Nhandewa, Mbyá Guarani, Kaiowá, Terena, Kaingang, Umutina, Kayapó, Apinajé, Mura) de quase todas as regiões brasileiras  

Ver:       https://www.youtube.com/watch?v=AzhJCXOKPQk

– Organização da Mesa Redonda: História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo escolar: como atender à lei 11645?, no 17° COLE – Congresso de Leitura do Brasil, na UNICAMP, em julho de 2009, mediada pelo Presidente da Kamuri, Gilberto Machel.

VIII Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, realizado de 24 a 28 de maio de 2010, na UFGD (Dourados, MS)

– IX Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, realizado de 22 a 26 de outubro de 2012, no IFBA (Porto Seguro, BA)

– 1º Curso de Introdução à Permacultura de Dourados-MS, com a presença e participação de indígenas Guarani e Kaiowá de diversas aldeias do Estado. Dourados, MS, 2013.

– Curso de Formação Agroflorestal na Aldeia Kaiowá de Panambizinho, com a participação de diversas lideranças indígenas Kaiowá, Guarani e Terena de todo o Estado, além da comunidade local. Dourados, MS, 2013-14.

– X Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, realizado de 25 a 27 de fevereio de 2015, na UFAM (Manaus, AM)

– Campanha de Solidariedade com as Comunidades Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul. Junho e Julho de 2016.

– 2009 – 2017: doação de 70 computadores para escolas e professores indígenas nos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. 

– 2008 – 2017 : Projeto Web Indígena, responsável pela criação e manutenção de 3 sites de etnias indígenas (Kaingang, Nhandewa-Guarani e Laklãnõ), sendo que o site “Kanhgág Jógo” (www.kanhgag.org), lançado em dezembro de 2008, é o primeiro site totalmente em língua indígena no Brasil. Entre dezembro de 2008 e setembro de 2016 foram realizadas 20 oficinas do Projeto, com participantes de 20 terras indígenas diferentes. Dessas oficinas, duas tiveram longa duração (julho 2011 e janeiro 2012), dedicadas à formação de gestores indígenas kaingang para o website “Kanhgág Jógo”.

– 2012: Prêmio Economia Criativa, do Ministério da Cultura, na categoria “Formação” do “Fomento a Iniciativas Empreendedoras e Inovadoras”, pela ação de “Formação de Gestores Indígenas do Portal Kanhgág Jógo – Projeto Web Indígena”. 

– 2012: I ISKL – 1st Internacional Symposium on Kaingang Language, realizado nas dependências do IEL-UNICAMP, de 20 a 23 de agosto de 2012, com participação do foneticista japonês Osamu Fujimura e professores bilíngues kaingang de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

– 2013: 1o Curso de Introdução à Permacultura de Dourados (MS), com a presença e participação de indígenas Guarani e Kaiowá de diversas aldeias do Estado.

– 2013: Curso de Formação Agroflorestal na Aldeia Kaiowá de Panambizinho (Dourados, MS), com participação de lideranças indígenas Kaiowá, Guarani e Terena de todo o Estado, além da comunidade local.

– 2017: curso “Linguística e Indigenismo”, em parceria com o Grupo de Pesquisa InDIOMAS (Unicamp), de março a junho de 2017 (32 horas/aula), com cerca de 40 participantes.

– 2013 – 2017 : Programa de Revitalização das Línguas Indígenas no Estado de São Paulo (em parceria com o Grupo de Pesquisa InDIOMAS, da UNICAMP, e com a FUNAI). Entre Agosto de 2013 e Julho de 2017 (4 anos) foram realizadas 20 Oficinas com os Nhandewa-Guarani, 9 Oficinas com os Kaingang Paulistas, 1 Oficina com Krenak no Oeste Paulista, 3 oficinas do site Nhandewa. Em média, foram mais de 8 oficinas por ano que, como mínimo, contaram sempre com 2 oficineiros (no mínimo, um linguista) e um monitor, totalizando mais de 2.400 horas de trabalho voluntário. São parte e resultados parciais desse Programa:

– Publicação dos livros: Lições de Gramática Nhandewa-Guarani – vol. I e Inypyrũ – Narrativa sagrada da criação do mundo, ambos produzidos ao longo das oficinas do projeto de revitalização do Nhandewa-Guarani. Aldeia Nimuendajú, 25 de maio de 2017.

– Levantamento Lexical para publicação do Dicionário Escolar do Kaingang Paulista: duas etapas de pesquisa de campo (fevereiro e julho de 2017), contando na equipe com 2 linguistas, 1 acadêmica de Linguística, 1 professor bilíngue Kaingang e um kaingang estudante de Letras.

– 2018: 1º SENATE – Seminário Nacional de Língua e Cultura Terena, realizado no Auditório do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), UNICAMP, de 22 a 24 de agosto de 2018, com professores, falantes e autoridades indígenas de comunidades do MS e de SP.

– 2018: conclusão e publicação de 5 novos livros didáticos resultantes do Programa de Revitalização de Línguas Indígenas no Estado de São Paulo:

1. Lições de Nhandewa / Tupi-Guarani – vol. 2. Cadernos de Atividades Multidisciplinares. Lenira D. O. Djatsy et al

2. Nhandeypygwá kwéry omombe’u wa’ekwé. Cledinilson Alves Marcolino et al.

3. Vocabulário Unificado Português-Krenak (Botocudo) Krenak-Português. Pedro Ternes Frassetto

4. Organização social e crenças dos Botocudos do Leste do Brasil. Curt Nimuendajú. Trad. Pedro T. Frassetto

5. Dicionário escolar Kaingâk: a língua Kaingang no Oeste Paulista. Wilmar R. D’Angelis e Solange A. Gonçalves (Orgs.).

Os 5 livros foram lançamentos em diferentes eventos, nas respectivas comunidades indígenas, ao longo do primeiro quadrimestre de 2019.

– 2019: 1ª e 2ª Oficinas de Revitalização da Língua Terena no Estado de São Paulo, realizadas na Aldeia Ekeruá (T.I. Araribá), de 5 a 8 de junho, e de 22 a 26 de outubro de 2019.

– 2019: XI ELESI – Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, realizado nas dependências do Instituto de Geociências (IG) e do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da UNICAMP, de 9 a 13 de outubro de 2019.

– 2019: produção da obra “Revitalização de línguas indígenas: o que é? como fazemos”, organizado pelo linguista Wilmar D’Angelis, lançada durante o XI ELESI.

– 2020: Campanha “S.O.S. Tikunas”, e apoio a comunidades indígenas do Alto Solimões e da tríplice fronteira (principalmente Tikunas e Kokamas) para contenção da disseminação do coronavírus e socorro às famílias mais desassistidas.

– 2020: Início do Projeto Djaryi de recuperação, distribuição e multiplicação de sementes nativas indígenas.

– 2021: Curso de introdução à Agricultura Sintrópica, março e abril de 2021

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