Deputada indígena eleita presidente da Assembleia Nacional do Equador

Os povos indígenas fizeram importantes conquistas no continente sul-americano neste mês de maio de 2021. Pela primeira vez na história do Equador, uma líder indígena foi eleita presidente da Assembleia Nacional do Equador. A deputada Guadalupe Llori elegeu-se pelo partido indígena Pachakutik, braço político da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador.

Llori tem uma história pessoal de militância, desde a juventude, quando atuou no movimento estudantil na faculdade de Direito onde estudava. Ela foi prefeita várias vezes em Orellana, e esteve presa por nove meses sob a acusação de terrorismo e sabotagem de refinarias no país, e de incitamento à greve. Os indígenas do Equador têm um longo histórico de lutas contra políticas governamentais favoráveis à exploração de petróleo na região amazônica, o que tem causado a degradação do meio ambiente e da qualidade de vida dos povos nativos.


Indígenas na Convenção Constitucional chilena

Os povos originários do Chile também estão participando de um acontecimento político transformador: a redação da nova Carta Magna, que renovará inteiramente as leis do país, livrando-se finalmente do legado da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990). A Convenção Constitucional, que foi eleita no dia 15 de maio, teve 17 cadeiras reservadas para os 10 povos indígenas chilenos. Os dois povos indígenas mais representados são em primeiro lugar os Mapuche, em seguida os Aimara.

Os dados do último censo no Chile, de 2017, revelam que cerca de 12,8% da população chilena é de origem indígena. Desses, 79,8 % se declaram Mapuches, que vivem em várias regiões do país, especialmente na região central, onde está localizada a capital, Santiago. Entre as propostas defendidas pelos indígenas para a nova Constituição está a de tornar o Chile um país plurinacional e plurilinguístico, com o ensino compulsório da língua mapuche nas escolas públicas.

Se isto acontecer, o Chile será a segunda nação do continente sul-americano a se autodeclarar um Estado plurinacional. O primeiro foi a Bolívia, que na Carta de 2009 reconheceu a existência e a autonomia das diversas nações indígenas do país. Os povos indígenas chilenos têm sofrido há séculos do mesmo mal que aflige todos os demais no continente: a constante invasão e militarização dos seus territórios, e a perseguição de seus líderes. É grande a expectativa dos povos indígenas de que a sua participação na elaboração da nova Constituição seja de fato o marco de uma nova era, de paz e respeito aos seus direitos no Chile.

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