Defender a ancestralidade é desejar a volta ao passado? Não para as mulheres indígenas do Brasil, reunidas em uma grande marcha em defesa do futuro de seus filhos e de toda a humanidade. A marcha de quase cinco mil mulheres indígenas, de 172 etnias, tem enchido de cor e de canto, sob o ritmo pulsante do maracá, as avenidas da capital federal, desde seu acampamento até a Praça Galdino, nomeada em homenagem ao indígena Pataxó assassinado enquanto dormia em Brasília por jovens brancos em 1997.   

Ornadas para a guerra, elas se negam, porém, a usar as armas do inimigo: aquelas que ferem, matam e destroem tudo o que é vivo. Mas avisam: “Não lutar com a mesma arma do inimigo não significa que estamos desarmadas!” A força e o poder destas mulheres resultam de sua capacidade de mobilização, resiliência e organização. Apesar de suas diferenças culturais e linguísticas, construíram uma identidade comum que avança em direção ao objetivo comum: garantir seus territórios, dos quais dependem “nossos modos de vida enquanto humanidade”. 

O tema da Marcha explica e inspira: “Mulheres originárias: reflorestando mentes para a cura da Terra”. Organizadas em equipes de comunicação, advocacia, saúde e educação, e acompanhadas por seus filhos, amigos, simpatizantes e parentes, elas definem suas estratégias de ação e assumem pessoalmente a direção de sua luta. 

Sabem melhor do que a maioria dos líderes políticos do país que a situação do clima mundial é grave, e que sua recuperação depende da saúde das florestas e dos recursos hídricos do Brasil. Por isso, referem-se a si mesmas como “mulheres biomas”, cujos corpos representam o território ancestral, onde mora o conhecimento que pode reflorestar as mentes e curar a Terra. Para isso, reivindicam o fim da deletéria tese do marco temporal, a demarcação de seus territórios e a retirada dos invasores que atacam os indígenas, destroem a vegetação e envenenam os rios impunemente.      

Confira alguns momentos da Marcha das Mulheres Indígenas 2021 gravados por Tiago Kirixi:

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